Vladimir Sokolov parecia estar predestinado a associar o seu destino às artes: ele nasceu na família de Nikolai Sokolov, um dos pintores mais conhecidos do período soviético e membro do famoso grupo criativo Kukryniksy. Contudo, o famoso pai não queria que o filho fosse também pintor.
“O meu pai não me orientava na pintura”, contou à Voz da Rússia Vladimir Sokolov. “Quando eu tinha 26 anos, um conhecido meu que estava terminando a Escola Superior Artística Industrial, tendo visto alguns trabalhos que eu fiz para mim próprio, propôs dar-me explicações. Assim, em três meses eu preparei-me para a admissão e virei estudante. Mais tarde, o meu pai não me indicava como eu deveria pintar. Ele disse-me mais de uma vez que a arte pode ter qualquer forma: ele próprio era adepto do realismo, mas adorava Picasso e gostava dos impressionistas. Assim, quando eu lhe mostrava os meus trabalhos ele simplesmente os observava e dizia: ‘Foi feito um grande trabalho, mas inútil.’ Se bem que por vezes também os elogiava.”
Depois de ter terminado a Escola Stroganov, Vladimir Sokolov decorou interiores e trabalhou em um complexo da Câmara de Comércio e Indústria da URSS como decorador principal dos pavilhões soviéticos em feiras e exposições internacionais. É difícil supor qual teria sido o destino artístico do pintor, mas em meados dos anos setenta os seus trabalhos foram vistos pelo famoso pintor Tair Salakhov que os avaliou de forma muito positiva. Desde então, Vladimir Sokolov começou a dedicar mais atenção à sua própria obra.
As obras de Vladimir Sokolov já contam há muitos anos com merecida popularidade em todo o mundo. O artista recorda que, em finais dos anos de 1980, quando as fronteiras se tinham acabado de abrir e na Rússia tinham aparecido os primeiros negociantes de arte, as suas obras atraíram as atenções de galeristas franceses, os quais encomendaram-lhe 300 quadros e mais tarde convidaram-no para ir a Paris.
Tendo visto que as obras de arte russas tinham muita popularidade na Europa, Vladimir Sokolov participou ativamente na organização de leilões no famoso Hôtel Drouot. Segundo ele, logo nas primeiras vendas foram adquiridos 80% dos lotes apresentados. Um leilão em que se venda pelo menos um terço das obras é considerado um sucesso, por isso não é de admirar que os resultados tenham surpreendido agradavelmente a organização. Durante vários anos, até 1992, ele se dedicou à atividade leiloeira e durante esse período trouxe para França as obras de muitos pintores russos, incluindo as de estudantes da Escola Stroganov.
Vladimir Sokolov viaja muito. Um resultado das suas viagens é a série de trabalhos gráficos “Pela Índia, Turquia, América Latina e outros”. Os estudiosos e os críticos de arte referem unanimemente o grande gosto artístico, a mestria da execução e a autenticidade vital das suas obras.
“Eu vivo feliz, porque posso fazer o que quero, não preciso de pintar por encomenda. Eu pinto o que gosto e esses quadros, por seu lado, são do agrado do público”, diz o artista.