Iossif Ostrovsky (1935-1993) é um artista cujo trabalho foi durante muitos anos muito mais conhecido na Europa e América do que na sua pátria. Suas obras foram exibidas em exposições em Nova York e Londres, Zurique e Antuérpia, Tóquio e Tel Aviv, mas só nos últimos anos vêm recebendo o reconhecimento que merecem na Rússia e na Ucrânia.
Iossif Ostrovsky nasceu em 1935 perto de Odessa. Ele começou a pintar cedo e já aos 15 anos se matriculou no departamento de pintura da Escola de Arte de Odessa. Apesar de os professores destacavam a sua originalidade brilhante, os primeiros trabalhos do pintor eram bastante tradicionais para a arte do realismo socialista: retratos de trabalhadores e policiais, o tema infantil, paisagens rurais e urbanas. Ao mesmo tempo, Ostrovsky trabalhava muito, experimentando, tentando encontrar seu estilo, desenvolver uma linguagem artística única.
No final dos anos 1960, em seu trabalho aconteceu uma mudança drástica. O artista se voltou para a questão judaica. O mundo de artesãos, músicos, sábios – todos aqueles que o rodeavam em sua infância – se manifestou em seu notável “Ciclo judaico”, composto por várias centenas de pinturas, algumas das quais estão exibidos na exposição.
 “Iossif Ostrovsky é um artista cujas obra remontam à arte moderna, as obras de Alexander Gausch, do eminente pintor Theophil Fraerman que teve a sorte de ser exibido junto com Henri Matisse”, contou à Voz da Rússia a curadora da exposição, crítica de arte Lyubov Agafonova. “Ao mesmo tempo, em sua obra pode ser vista uma espécie de réplicas do Renascimento do Norte, que era tão apreciado na quente Odessa. É oportuno dizer que em seus primeiros trabalhos se sente a influencia da pintura holandesa do século XVI.”
Ao se familiarizar pela primeira vez com as obras do “Ciclo judaico”, o espectador vê toda uma galeria de imagens pitorescas: sábios, artesãos, músicos pintados de forma irônica e comovente. Mas olhando com mais atenção as pinturas de Ostrovsky percebe que cada imagem é um pequeno mundo que o artista habita com seres ideais. Cada personagem surge como de um certo espaço nominal, desprovido de realidades cotidianas. E esse espaço é uma reflexão extraordinariamente móvel dos tons mais delicados do estado emocional do autor. A linguagem em que o artista se comunica com o público é condicionada e simbólica, mas é intuitivamente compreensível.
Iossif Ostrovsky dizia: “Às vezes me pergunto se eu não restrinjo o meu público ao desenvolver... folclore judaico, criando com base nele a minha mitologia, mas cheguei à conclusão de que há temas eternos que são compreensíveis e que preocupam todos. A linguagem da pintura é internacional como a linguagem dos sentimentos. E por isso, quanto mais profundo eu penetro na alma, nos pensamentos de meu povo, tanto mais próximo o meu trabalho se torna para todas as nações.”
Apesar de que na União Soviética a obra de Iossif Ostrovsky não tinha hipóteses de obter um reconhecimento digno, ele não foi um artista perseguido. Seus trabalhos foram exibidos em grandes exposições, e em 1978, em Odessa, aconteceu uma exposição individual do artista com muito sucesso.
No final dos anos oitenta, o artista adoeceu gravemente. Os últimos anos de sua vida Iossif Ostrovsky passou em Israel, para onde ele foi forçado a partir na esperança de que os médicos israelenses ajudariam a vencer a doença. A arte o sustentou durante os dias mais difíceis, ele não largou as tintas até à morte, tentando conseguir dar ao mundo o máximo possível de seus surpreendentes contos vivos.