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9 de out de 2017

Memória - Especial / Taiguara

A censura póstuma: Taiguara é vetado até em redes sociais
por Lígia Moscardini
Um artista com talento invulgar: muitas de suas músicas eram acompanhadas por grandes interpretações, por um piano intenso, pelas raízes afro e indígenas e pelas letras bem elaboradas, em que sempre cabia referências sociológicas, literárias e, ainda, muito de engajamento político até na música que parecia romântica.
Mas nada disso foi suficiente: Taiguara é um gênio bastante desconhecido porque foi marcado pela censura. Mais: foi o mais censurado do que qualquer outro compositor de música brasileira que o leitor lembre lutar contra os anos de chumbo. Conforme destaca a biógrafa Janes Rocha em Os Outubros de Taiguara, o artista teve cerca de 85 músicas vetadas em seu período mais produtivo, a década de 1970. Primeiro, por conteúdo “erótico”. Depois, por conteúdo político. Até que seu nome começou a ficar muito visado e pessoalizaram o veto por “estilo do autor”.
O que Taiguara talvez não imaginasse é que se haveria de censurar o que parecia não ter mais como censurar: em diversas entrevistas, afirmava que espetáculos e shows inteiros, com tudo acertado e músicos já pagos, eram cancelados sem mais nem menos. Que chegava aos locais com os músicos e equipamentos e encontrava os locais trancados e sem ninguém da diretoria. Que, quando realizados, as Forças Armadas e agentes compareciam aos seus shows com o objetivo de intimidar e pressionar. Que recebia telefonemas ameaçadores e cartas de uma suposta “amante” para acabarem com seu casamento. Que – ressalta Maria Pacheco –  as coletâneas de discos e a mídia em geral o colocaria apenas como “cantor romântico”. Que, mesmo em tudo isso, teria o descaso até de jornais como O Pasquim.
Com tantas músicas vetadas e muita perda de dinheiro dos constantes espetáculos cancelados, o artista se via cada vez mais imbuído em dívidas e sem condições de trabalhar no Brasil. Assim, precisou se exilar algumas vezes em Londres e países africanos, como a Tanzânia. Em meio à penúria com a censura e a necessidade de sobreviver no exílio, Taiguara, segundo a filha Moína, vendeu em 1976 seus direitos autorais dos discos gravados pela para a EMI-Odeon, hoje administrada pela UMG (Universal Music Group), de modo a antecipar os royalties sobre a venda futura dos seus discos. Segundo a biógrafa, permaneceu por dez anos, com oito discos nesta gravadora. Assim, conseguiu uma ajuda de custo para sobreviver fora do país e manter sua família.
Após isso, de acordo com a pesquisadora Maria Pacheco, prometeram que um outro disco ia ser lançado em Londres e no Brasil. Mas a EMI não editou o disco e, pela legislação de direitos autorais, não permitiria que outra gravadora o editasse. Fragilidades da gravadora e do artista no contexto de ditadura militar. Janes Rocha registra que Taiguara tentou reaver seus royalties por meio de advogados, mas não obteve sucesso. Moína ressalta, porém, que os direitos de royalties de interpretação e de imagem daquelas canções permaneciam com Taiguara naquele acordo.
Ainda assim, o que os filhos de Taiguara talvez não imaginassem é que se haveria de censurar o que parecia não ter mais como censurar: passados 22 anos de sua morte, o compositor foi, recentemente, censurado no facebook. Em mais palavras: Taiguara foi censurado na rede porque Moína publicou uma música do compositor, “universo no seu corpo”. Ou, o mais estarrecedor: houve até uma denúncia da UMG e suspensão de perfil da filha de Taiguara na rede social porque ela compartilhou online a música do pai com seu constante intuito de divulgar o compositor.
Todos sabemos que as redes sociais é uma das principais mídias alternativas e, portanto, a divulgação do versátil trabalho do compositor traz, hoje, uma relação estreita com elas: Moína é a filha responsável por administrar as redes online em homenagem a Taiguara. Segundo ela, existem hoje um grupo e uma Fan Page Oficial Taiguara https://www.facebook.com/taiguarachalardasilva desde 2009, que conta com mais de 18 mil fãs do artista, onde são divulgados fotos, informações históricas, shows em homenagem e até mesmo músicas inéditas. E, conforme acordo com a gravadora EMI, esse material é sempre divulgado pelos filhos, que têm direito de interpretações e imagens do compositor. Mesmo assim Moína relata que, sempre que fazem os uploads com os vídeos com músicas que foram gravados pela EMI, o Facebook os bloqueia e manda uma notificação para o email da página e uma notificação para quem enviou o vídeo avisando que removeu porque “aquele vídeo pertence a outra pessoa”.  
Além disso, a filha do Taiguara ressalta outros problemas com o facebook, como a falta de compreensão de que a página Taiguara é moderada pelos filhos e que, por isso, é página oficial. Assim sendo, há tempos pedem à rede o selo azul para autenticar a página, mas o Facebook não o concede, alegando poucos membros, quando há páginas com 400 pessoas com selo azul. Ela ressalta também uma falta de sensibilidade em acatarem toda a documentação enviada por ela e pelos irmãos para que não mais aconteçam bloqueios dessa natureza. Afinal de contas, qual o real motivo para restrições na rede diante os próprios filhos do compositor e com todas as comprovações possíveis?
Moína precisou fazer outra página pessoal, mas ainda não sabe quando recupera todo o conteúdo do pai que está presente na página antiga, que ficaria intacto apenas com a leitura de documentação enviada por ela e outros filhos e reativação de seu perfil na rede. Segundo a filha Tajira, existe um esforço dos filhos há oito anos para criarem conteúdo com a página do pai e para colocar seu público em acesso a ela. Em tudo isso, essa restrição do facebook é das atitudes mais esdrúxulas porque, hoje, a rede faz parte na recuperação da memória e de justiça de um artista marcado pela injustiça. Injustiça que, em nome de sua imensa e versátil contribuição para a música brasileira, não pode se dar também online.






Começou a cantar na noite aos 18 anos, quando foi contratado pela PolyGram, gravando seu primeiro LP dois anos depois.
Em 1964, teve a oportunidade de mostrar seu trabalho no Juão Sebastião Bar, (SP), onde toda quarta-feira a já veterana Claudette Soares abria espaço para músicos então iniciantes, como César Camargo Mariano, Toquinho e Chico Buarque.
O contato com Claudette transformou-se em amizade e, em 1967, os dois juntaram-se ao Jongo Trio e apresentaram o show "Primeiro tempo: 5 x 0", dirigido pela dupla Miéle e Bôscoli, no Rio. O espetáculo ficou em cartaz durante um ano, na Boate Rui Bar Bossa. Depois, o mesmo show foi adaptado para uma versão pocket para o Teatro Princesa Isabel, permanecendo durante dois anos em cartaz. Foi esse espetáculo que compôs "Hoje", um de seus maiores sucessos. O show foi gravado ao vivo pela Philips, em 1966, e hoje se transformou em peça rara de colecionador.
Participou, em 1966, da trilha sonora do filme "Crônica da cidade amada", de Carlos Hugo Christiensen, lançada pela Philips.
Em 1967, atuou no show "Farenheit", ao lado de Eliana Pittman, Cipó, Dori Caymmi e Luiz Eça. Oespetáculo foi gravado em disco pela Odeon.

Versátil, capaz de navegar por mares de diversos gêneros musicais, postou-se contra a repressão artística imposta pela ditadura militar. Em 1971, as canções do LP "Ilha" chamaram a atenção da censura. Dois anos depois, teve 11 músicas proibidas. O disco "Imyra, Tayra, Ipy, Taiguara", de 1975, teve participação especial de Hermeto Pascoal e Wagner Tiso e uma curiosidade: naquele ano, Taiguara estava sob as lentes da censura e foi Ge Chalar da Silva, então sua esposa, quem assinou as letras das músicas. O disco seria lançado em 1976, num show no Rio Grande do Sul, com as participações de Hermeto Pascoal e Toninho Horta, mas o espetáculo foi cancelado.
Entre 1968 a 1975, suas músicas eram freqüentes nas rádios, com destaque para "Universo no teu corpo", "Hoje", "Viagem" e "Teu sonho não acabou".
Ainda na década de 1970, viveu na Inglaterra, França, Tanzânia e Etiópia. Estudou regência em Londres, onde gravou o LP "Let the children hear the music", em inglês. O disco foi proibido de ser lançado, pela EMI, por decisão da Polícia Federal brasileira. O compositor recorreu ao Conselho Superior de Censura, em 1982, por sugestão de seu amigo pessoal, o crítico Ricardo Cravo Albin, que então defendia os autores de rádio, TV e MPB naquele Conselho. O parecer de Albin acabou por ser aprovado pela unanimidade do plenário do Conselho, liberando-se imediatamente o disco.
Retornou ao Brasil em 1978.
Nos anos 1980, aprofundou-se nas pesquisas das sonoridades africanas e paraguaias, que resultaram no disco "Brasil Afri".
Em 1990, seu último show, montado no Teatro João Caetano, com roteiro e direção de Ricardo Cravo Albin, e gravado pela TV Manchete, teve repercussão nacional.

Em 1994, passou alguns meses em Nova York. Faleceu de câncer na bexiga no dia 14 de fevereiro de 1996, quando preparava o repertório do disco seguinte, que seria de sambas que falavam sobre pobreza e alegria de viver nos morros cariocas. Em maio desse mesmo ano, a amiga e intérprete favorita de suas canções, Claudette Soares, homenageou o compositor com um show no Memorial da América Latina, em São Paulo.
Constam da relação dos intérpretes de suas canções Emílio Santiago, Pery Ribeiro, Angela Maria, Claudia, Evinha, Agnaldo Timóteo, Célia, Orlando Silva, Roupa Nova e Erasmo Carlos, entre outros.

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