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31 de mar de 2014

CANAL MÚSICA / Especial / Maria Bethânia






Maria Bethânia sempre me fascinou. Ela consegue me hipnotizar. Fico inteiramente dominado pela sua arte; atraído pela sua interpretação e definitivamente dependente daquela Maria (essencialmente música e poesia) Bethânia. Impossível não me emocionar quando ouço Maria Bethânia. É sem dúvida uma das maiores intérpretes da música brasileira de todos os tempos.
Maria Bethânia por Julio Diniz / A arte de Maria Bethânia Vianna Telles Veloso é indissociável de sua própria vida. No palco, a entidade Maria Bethânia, impenetrável e misteriosa, enigmática criatura percorrendo a cena aberta como quem celebra a força dos deuses. Em casa, a mulher Maria Bethânia, filha de Canô e Zeca, devota de Nossa Senhora da Purificação, irmã de Caetano, amiga fiel de seus amigos. Em ambas, com maior ou menor intensidade, o movimento da paixão pela vida, o drama da existência humana, a enorme dor pelas coisas do mundo, mas também a alegria de se saber argonauta, humana, navegadora do céu dos viventes, lutadora incansável do som contra o silêncio, com esperanças de um mundo mais fraterno e feliz.
Bethânia é a concentração máxima de quatro forças vitais, a rosa-dos-ventos que traz a luz criadora de Clarice Lispector, a cor poética de Chico Buarque, o som transformador de Caetano Veloso e a palavra dramática de Fernando Pessoa.
A luz de Clarice fala de uma voz que traz na língua a beleza indizível dos poemas e das canções. Traz e reparte com todos nós - cariocas, baianos, portugueses, franceses, americanos, negros, brancos, marinheiros, donas de casa, estudantes, mulheres solitárias, homens vagando pelas cidades do mundo, professores, bailarinas - a magia do palco, o seu ofício humano, demasiado humano.


A cor de Chico conta da felicidade de se reconhecer pertencente ao teatro das palavras quando sua voz as retira do papel e a elas empresta corpo, alma, emoção. Sua voz, como a mão dos poetas, transforma o branco do papel e do silêncio em âmbar reluzente, brilho de azulejo lisboeta, contorno de montanha carioca, leveza de casa baiana.
O som de Caetano diz do sabor de ver a vida imitando a arte, a arte encenando a vida. Maria que não se vê atriz, mas incorpora a força da representação à sua própria pele, que reduz o palco à dimensão do mar; Maria que navega no estreito limite entre margens, filha da Maria mãe dos viventes ; Maria Be-atriz, a que acredita na busca incessante do inefável, nome misterioso e oculto a movimentar as engrenagens do mundo.
Finalmente, do inquieto silêncio de Pessoa a celebração da comunhão entre som e palavra. Quando finalmente o palco se iluminar e a voz estiver diante da vida encenada como arte e da arte imitada como vida, o poeta Fernando e seus cavalos estarão percorrendo os corredores da língua portuguesa, timidamente dispostos entre homens que não cessam de buscar a felicidade como o único esforço humano possível, o amor como substância vital traduzida pela mão de um poeta e pela voz de uma mulher, Maria Bethânia Vianna Telles Veloso.

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