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30 de mar de 2011

A educadora Armanda Álvaro Alberto



Exibido no Repórter Rio em 29/03/2011 / TV Brasil

A Escola Proletária Merity, fundada pela Professora Armanda Álvaro Alberto, obedecendo aos métodos montessorianos, mereceu elogios dos mais eminentes educadores e intelectuais do país.

Professora Armanda Álvaro Alberto – uma pioneira em Merity
A história da política educacional brasileira sempre foi marcada por nomes masculinos: Anísio Teixeira, Venâncio Filho, Roquete Pinto, entre outros. Contudo, ao buscarmos conhecer a história do município de Duque de Caxias, encontraremos um nome de relevância na educação nacional, integrante também da nossa história: professora Armanda Álvaro Alberto. Junto com Noemi da Silveira e Cecília Meirelles, Armanda foi uma das três mulheres que assinaram o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, em 1932. Assinado por outros 23 educadores, entre os quais Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo, Edgard Sussekind Mendonça, Roquette Pinto e Venâncio Filho, o documento fazia a defesa da escola pública, gratuita e de qualidade para todos.
Armanda Álvaro Alberto nasceu no Rio de Janeiro em 10 de junho de 1892. Sobre sua vida particular, sua infância ou casamento, pouco se sabe. Entretanto, as pesquisas realizadas por estudiosos da educação, revelam que há nos arquivos uma substancial quantidade de documentos a respeito de sua vida pública e profissional.
Armanda Álvaro Alberto vinha de uma família de intelectuais. Seu pai possuía formação de nível superior em medicina. Possuidor de vocação para o estudo da química de explosivos, teve destaque nessa área. Ocupou cargos públicos como médico pesquisador, engajando-se no projeto de saneamento do Rio de Janeiro, no final do século XIX e início do XX, no combate à febre amarela. Faleceu no ano de 1908, ficando Armanda e o irmão Álvaro Alberto aos cuidados da mãe, Maria Teixeira. Esta, procedendo de família abastada, foi educada por governantas francesas e professores particulares, além do que repassou aos filhos a sua educação letrada.
Álvaro Alberto, retomando os esforços de seu pai, fundou a Fábrica Venâncio & Cia, em 1917, uma fábrica de explosivos rupturita em Merity, na região do atual município de Duque de Caxias.
Armanda, por sua vez, aos 25 anos de idade, morando no bairro do Flamengo, próximo ao Colégio Jacobina – instituição de ensino que tinha como público as mulheres da elite, onde ela estudava –, iniciou sua trajetória rumo ao magistério. Seu círculo de amizades era composto pelas famílias da elite carioca: Aguiar, Buarque de Almeida, Niemeyer, Osório de Almeida, Rodrigues Peixoto, Rios Bastos.
Professora Armanda dedicou-se as questões educacionais em prol das camadas menos favorecidas. Influenciada pelas idéias pedagógicas de Pestalozzi e também pelos ideais educacionais de Maria Montessori, em 1919, quando seu irmão atuava na Escola Naval tendo sido transferido para Angra dos Reis, professora Armanda deu início ali, ao ar livre, a uma escola fundada através da aplicação das leis da psicologia à educação das crianças, destinada aos filhos de pescadores. Para essas crianças não existia escola pública ou particular na região e as aulas daquela professora eram baseadas na autonomia dos educandos, na atividade espontânea e na experiência pessoal das crianças, utilizando a liberdade, a criatividade, a individualidade e os métodos ativos.
Em 1920, as mulheres de elite, participantes do movimento feminista, fundaram a Associação Cristã Feminina. Armanda ingressou na Associação como sócia fundadora e a sua participação propiciou a ela um envolvimento maior com o movimento feminista. Ainda nesse ano, o irmão Álvaro a convidou para uma visita à fábrica de explosivos da família em Merity.
Ao conhecer a região e a realidade de pobreza e precariedade nas quais seus habitantes estavam inseridos e, principalmente, considerando que não havia escola para a maioria das crianças, professora Armanda criou, em 1921, a Escola Proletária de Meriti, posteriormente, Escola Regional de Meriti. A escola destacou-se no cenário da época porque, assim como a experiência educativa iniciada por Armanda em Angra dos Reis, adotava métodos pedagógicos inovadores baseados nos interesses da criança e promovia, através dos Círculos de Mães, a integração da escola com a comunidade.
Duque de Caxias, no ano da fundação da Escola Proletária de Meriti, ainda era distrito de Nova Iguaçu. Armanda Álvaro Alberto instalou a escola numa casa doada pelo Dr. Romeiro Júnior. As crianças que a freqüentavam eram todas carentes e ao chegarem pela manhã, já encontravam o tabuleiro de angu doce e o latão de mate que lhes eram oferecidos e que a professora Armanda conseguia através de doações dos comerciantes da região, marcando o pioneirismo da distribuição de merenda escolar. Foi a partir daí que surgiu a idéia da merenda escolar, responsável pelo apelido de “Mate com Angu” que a Escola traz até hoje.
A “Mate com Angu” obedecia aos métodos montessorianos, sendo considerada como uma obra revolucionária pelos eminentes educadores e intelectuais do país. Mantida com recursos da fábrica de explosivos da família Álvaro Alberto, contava também com o auxílio da comunidade e apoio pedagógico dos mais representativos mestres da Associação Brasileira de Educação. Em 1922, foi criada a Caixa Escolar Dr. Álvaro Alberto, para a qual os moradores de Merity poderiam também contribuir.
Na Escola não se davam notas, prêmios ou castigos; desestimulava-se a luta pelos primeiros lugares. “Saúde, trabalho, alegria e solidariedade” norteavam a ação educadora da Escola. Desde cedo, contou com bibliotecas, laboratório, Círculo de Mães e escolinha de artes, aberta aos pais e à comunidade. Liberdade, responsabilidade, auto-educação e respeito ao desenvolvimento biológico e psicológico do educando: “aprender a fazer, fazendo”, este era o lema da Escola.
É importante destacar que a professora Armanda Álvaro Alberto teve intensa atuação na Associação Brasileira de Educação, fundada em 1924, tendo sido do Conselho Diretor da entidade e presidente da Seção de Cooperação da Família. Muito atuante, liderou o debate sobre a política editorial de livros para crianças, promovendo várias atividades relacionadas com livros infantis, além de assinar manifestos em favor da melhoria desse tipo de publicação e defender a importância de uma política de bibliotecas populares e infantis. Em 1935, presidiu a União Feminina do Brasil. Assim como seu marido, Edgar Sussekind de Mendonça, Armanda foi acusada de envolvimento com o movimento comunista e ficou presa por um período de oito meses entre 1936/1937. À frente da sua escola até 1964, professora Armanda defendeu de forma severa uma escola de qualidade para todos sem discriminações sociais, religiosas, sexuais ou raciais.(CMDC)

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